terça-feira, 31 de maio de 2011

...OS NOVES FILHOS DE OYÁ.....


OYA teve nove filhos, uns dizem que foi com ÒGÚN, outros que foi com SÀNGÓ , oito nasceram mudos e o último nasceu um ÉGÚN e graças aos sacrifícios recomendados por IFÀ, nasceu com o poder de falar com voz estranha e sobrenatural, chamada SEGI , que imita a voz do macaco africano chamado IJIMARÈ, macaco que é consagrado aos ÉRÉS.

- 1 - IMALEGÃ - Nasceu no primeiro dia do EBOYKÙ, arrancado do ventre de OYA pelas ÌYÁMI, e foi envolvido em abanos;

- 2 - IORUGÃ - Foi envolvido na palha seca e alimentado com talos de bananeira. Nasceu com avaidade de OYA e é o preferido;

- 3 - AKUGÃ - Nasceu no terceiro dia da tempestade e foi criado nas touceiras de bambu. É rebelde. Não se deve tocar o chão do bambuzal;

- 4 - URUGÃ - Alimenta-se das folhas da bananeira e esconde-se nas florestas. Faz buracos;

- 5 -OMORUGÃ - Alimenta-se do pó do bambu que está caído no chão. Vive no milharal e fica escondido nos bambuzais observando os seres humanos;

- 6 - DEMÓ - OYA cobriu-o de lama para saber os segredos de seus inimigos. Usa pele de búfalo para acompanhar ÒSÓÒSÌ;

- 7 - REIGÁ - Acompanha os mortos e ronda os cemitérios. Esconde-se nas grandes árvores dos cemitérios e ronda as sepulturas a procura de objetos perdidos ou esquecidos pelas pessoas;

- 8 - HEIGÁ - É violento e vive perseguindo o ORI do ser humano. Propicia desastres e desordens;

- 9 - EGUN EGUN - Filho de SÀNGÓ. OYA preparou-o para combater. Êle se apossa do ser humano, fazendo-o cometer desatinos.


Carrega um par de chifres que deu a seus filhos, dizendo-lhes que se precisassem dela batesse um no outro que ela viria de onde estivesse para acudi-los, também um instrumento de madeira com o rabo do búfalo que serve para afastar os ÉGÚNS , é o ORUKERÉ.

Recebeu de SÀNGÓ o título de YÀSÁN , que quer dizer , "a senhora das tardes ", pois chegava sempre as tardes , linda e esvoasante com sua roupa de fogo.   .........

 Yansã Oiá tinha um pai adotivo e vivia com ele na mata.
Ele era o maior de todos os caçadores.
Um dia, morreu e deixou Oiá muito triste.
Ela decidiu que queria fazer uma homenagem para o pai.
Embrulhou seus pertences de caça num pano, preparou suas iguarias favoritas.
E dançou e cantou por sete dias, espalhando seu vento por toda parte e fazendo vir todos os caçadores da terra.
Na sétima noite, embrenhou-se na mata e depositou ao pé de uma árvore sagrada os pertences de seu pai.
Olorum, que sempre vê tudo, ficou comovido.
Fez da jovem Iansã guia dos mortos no caminho sagrado, Orum Aiê e mãe dos espaços dos espíritos.
Fez de seu pai, Odulecê, um orixá.
E do gesto de Oiá, o ritual ao qual todos os mortos tem direito: comidas, cantos, danças e um espaço sagrado…
Iansã teve muitos homens e de cada um ganhou uma coisa importante:

De Ogum, o ferreiro divino, ganhou nove filhos e o direito de usar a espada para defender-se e defender os outros
De Oxaguiã, o jovem construtor, ganhou um escudo para proteger-se dos inimigos
De Exu, o mensageiro, ganhou o direito de usar a magia e o poder do fogo para realizar desejos
De Oxóssi, o caçador, ganhou o saber da caça para alimentar seus filhos
De Logun Edé, o senhor das matas, ganhou o direito de tirar das cachoeiras os frutos dágua para seus filhos
Com Xangô, o juiz, viveu o resto da vida e ganhou dele o poder do encantamento, o posto da justiça e o domínio dos raios.
Um dia, houve uma festa, todos os orixás estavam presentes.
Omulu-Obaluaê, o temido orixá das doenças, chegou vestido de palha. Ninguém o reconheceu e nenhuma mulher quis dançar com ele.
Mas eis que de repente, Oiá-Iansã entra na roda e atrave-se a dançar com o Senhor da Terra.
E tanto girava que levantou o vento, e o vento descobriu a palha de Omulu.
Todos puderam ver o quanto ele era belo.
E o reverenciaram.
Ele ficou tão grato que fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos, Oiá Igbalé, a condutora dos eguns, os espíritos dos mortos).
E ela dançou de alegria a sua dança que convoca o vento.

As filhas de Iansã devem ser assim, apaixonadas, amantes dos temporais, amazonas de ventanias…






                                                                                                          
O Acarajé, comida ritual (Adimu ou Ajeun) da orixá Iansã. Na África, é chamado de àkàrà que significa bola de fogo, enquanto je possui o significado de comer. No Brasil foram reunidas as duas palavras numa só, acara-je, ou seja, “comer bola de fogo”. Devido ao modo de preparo, o prato recebeu esse nome.

O acarajé, o principal atrativo no tabuleiro, é um bolinho característico do candomblé. Sua origem é explicada por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas,Oxum e Iansã. O bolinho se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. Mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado, pelas baianas, como uma comida sagrada. Por isso, a sua receita, embora não seja secreta, não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo. O primeiro acarajé sempre é oferecido a Exu pela primazia que tem no candomblé. Os seguintes são fritos normalmente e ofertados aos orixás para os quais estão sendo feitos.O acará Oferecido ao orixá Iansã diante do seu Igba orixá é feito num tamanho de um prato de sobremesa na forma arredondada e ornado com nove ou sete camarões defumados, confirmando sua ligação com os odu odi e ossá no jogo do merindilogun, cercado de nove pequenos acarás, simbolizando "mensan orum" nove Planetas.

O acará de xango tem uma forma Ovalar imitando o cágado que é seu animal preferido e cercado com seis ou doze pequenos acarás de igual formato, confirmando sua ligação com os odu Obará e êjilaxeborá.
                            

Gbadura (reza) de Oya.


TA AWA LE EWA ALAADE

OYA DE WA Ê LAARI Ô

Ô KI DÊ WA Ê LAARI Ô

SUN LÊ OHUN DÊ ORUN

ÊÊPA HEY YÊYÊ GÊÊRÊ

SUN LÊ OHUN DÊ ORUN


Tradução:
A mais bela dentre as mulheres que possuem coroa

Oya quando chega é um grande prestígio

Nós a saudamos sempre, sempre

Como o brilho do fogo, ela chega do céu

Nós a saudamos grande mãe preciosa!

Que como o brilho do fogo, chega do céu







                                                                                                                                                                            

sexta-feira, 20 de maio de 2011

.....O PRIMEIRO SER INICIADO.........O PRIMEIRO ÔXÚ.....ADOSÚ GBÉRÉ...

ÒSU — pronúncia correta ÔXÚ — é uma massa feita de diversos elementos, tem um formato

cônico e é colocado no alto e centro da cabeça, exatamente onde foi feito o pequeno corte (O

GBÉRÉ) no momento do feitio do santo. A partir daí, a iniciada(o) poderá ser chamada(o) ADÓSU.




Oxun recebeu de Obatalá, a ordem de iniciar o primeiro ser humano no culto aos Orixás. Conta um itan do Odu Oxefun, que certo dia:GALINHA DANGOLA




Havendo selecionado entre muitos, aquele que viria a ser o primeiro iniciado, Oxun tratou de seguir as orientações fornecidas pelo grande Orixá-Funfun, contando para isto com o auxílio de Elegbara(Exú) e Osaiyn(Osain), além das orientações de Orunmilá.




Todos os preceitos foram seguidos à risca e era Orunmilá, através da consulta ao oráculo, quem traduzia as orientações emanadas de Obatalá.




Ao fim da cerimônia, verificou-se uma total mudança na personalidade do iniciado que, de pessoa comum, transformou-se num ser excepcional, dotado de profundo sentimento religioso e plena dedicação ao culto para o qual havia sido preparado.




Diante deste fato, Oxun, percebendo que jamais seria possível a obtenção de um ser humano de tantas qualidades, intercedeu junto ao Grande Orixá para que o sacerdote fosse preservado do toque de Iku (a morte).




Obatalá (lenda), em sua imensa sabedoria, não querendo interferir na lei natural que determina que todos os seres vivos devem um dia ser entregues aos cuidados de Iku (lenda de Iku), admitiu a possibilidade de eternizar, apenas simbolicamente, aquele a quem foi confiada a propagação de sua própria religião e desta forma, ordenou que sobre sua cabeça fosse colocado o oxú, transformando-o, imediatamente, numa ave a que deu o nome de Etú (galinha d'Angola) .


























domingo, 27 de fevereiro de 2011

.FALANDO DE ODÚ

Odu quer dizer destino, signo, karma...
Olorun, o Deus Todo Poderoso, criou para este Planeta 16 odus principais, ou seja, 16 destinos possíveis. Cada um dos principais desdobra-se em 16, chamados de Omo-Odu, perfazendo um total de 256 odus. Cada um dos odus principais vai delinear uma situação, um objetivo, virtude e defeito. A Lógica desses 16 odus diz que cada um deles foi criado para dar corpo aos adjetivos bom, mau, feio, bonito, forte, fraco, triste, alegre e assim por diante, influenciando diretamente no comportamento de tudo aquilo que tem vida. Cada um deles carrega consigo um ponto de explicação determinado, assim definido:
Okanran – A Insubordinação
Eji-Okô – A Dúvida
Etá-Ogundá – A Obstinação
Irosun – A Calma
Oxé – O Brilho
Obará – A Riqueza
Odi – A Violência
Eji-Olíne – A Intranqüilidade
Ossá – A Alienação
Ofun – A Doença
Owanrin – A Pressa
Eji-Laxeborá – A Justiça
Eji-Ologbon – A Meditação
Iká-Ori - A Sabedoria
Ogbé-Ogundá – O Discernimento
Alafiá – A Paz
Os estudos sobre a Mitologia inca dizem que o 4 é o número de fixação, o número energético, o número magnético do planeta Terra. Este número multiplicado por ele mesmo, resulta 16, coincidentemente a mesma quantidade de odus principais, coincidência igual à questão da criação do mundo, segundo os nagôs. Para eles o mundo teria sido criado em 4 dias. Quatro também é a semana ioruba, ou seja, nagô, Olorun, então, teria criado quatro odus por dia, danto um total de 16, em quatro dias:
1º dia: Okanran, Eji-Okô, Etá-Ogundá e Irosun.
2º dia: Oxé, Obará, Odi, Eji-Okíle.
3º dia: Ossá, Ofun, Owanrin e Eji-Laxeborá.
4º dia: Eji-Ologbon, Iká-ori, Ogbé-Ogundá e Alafiá.
Desta iniciativa de Olorun, de criar 16 destinos possíveis, conclui-se que seu objetivo foi proporcionar personalidade a tudo a que ele mesmo deu vida, dar capacidade de comportamento a estes seres, uma vez que sabemos que tudo aquilo que tem vida, seja animal ou vegetal, tem a regência de um Odu, melhor, tem o seu destino delineado previamente.
Falamos de animais e vegetais mais confortavelmente. Deixemos por ora os minerais em compasso de espera, uma vez que os estudos sobre estes ainda não estão concluídos.
Olorun, através de suas divindades trabalhadores, de seus Arcanjos, fez o mundo. Criou a Terra, a Água, o Ar e o Fogo, os 4 elementos da Natureza (novamente confrontamo-nos como o número 4). E os elementos provenientes destes quatro elementais formaram as demais coisas vivas deste planeta.
Atribui-se a cada elemento principal quatro odus, ou seja, quatro destinos a eles ligados, que estariam assim distribuídos:
Terra – Irosun, Obará, Eji-Laxeborá e Iká-Ori.
Água – Eji-Okô, Oxé, Ossá e Eji-Ologbon
Ar – Eji-Oníle, Ofun, Ogbé-Ogundá e Alafiá.
Fogo – Okanran, Etá-Ogundá, Odi e Owanrin.
Voltamos à criação do mundo e dos odus na semana ioruba. No primeiro dia, foram criados os seguintes ogus: de Fogo (Okanran); Água (Eji-Okô); novamente o Fogo (Etá-Ogundá) e Terra (Irosun). No segundo dia Olorun criou mais quatro odus> Água (Oxé); Terra (Obará); Fogo (Odir) e Ar (Eji-Oníle). No terceiro dia foram criados os odus: Água (Ossá); Ar (Ofun); Fogo (Owanrin) e Terra (Eji-Laxeborá). No último dia, Olorun ratou da criação dos odus: Água (Eji-Ologbon); Terra (Iká-Ori); Ar (Ogbé-Ogundá) e novamente Ar (Alafiá).

A Lógica diz que cada um dos quatro odus criados por dia, corresponderia a cada um dos elementais, isto, de fato, aconteceu no segundo e terceiro dias como pode ser visto, mas houve mudanças, tanto no primeiro dia de criação, quando foram criados dois elementos Fogo, como no último dia, onde o elemento Ar aparece também duas vezes.
Por coincidência, isto veio a determinar os dois pólos de Panteão dos Orixás, onde aparecem: (a) Exu, como primeiro pólo, princípio ativo da vida, primeira chama do Universo, cujo elemento é o Fogo; e (b) Oxalá, que é o elemento último da corte dos orixás, princípio ativo da morte, o último suspiro de vida, cujo elemento é o Ar.
A Lógica da criação do mundo, segundo os sábios africanos tem, assim, bastante clareza, pois Olorun criou os odus, quatro por dia, em quatro dias, perfazendo 16 odus. Se levarmos com conta o provérbio “onde há fogo, há vida”, veremos que foi necessário a criação de dois odus ligados ao elemento Fogo, logo no primeiro dia, para que a vida tivesse força, melhor dizendo, para que o Fogo fosse o elemento de grande força de impulsão da vida. Olorun, então, deu equilíbrio de forças nos dois dias subseqüentes, criando odus ligados aos quatro elementais da natureza e, por fim, terminou no quarto dia criando os quatro odus, dois deles, entretanto, ligados ao elemento Ar, o que determinaria a força que se esvai. Explicando melhor: Ar, último suspiro de vida. Dois elementos Ar, no último dia. É o oposto da criação do primeiro dia. Se o Fogo confirma a vida, o Ar vai confirmar a morte, o fim da vida. Por este motivo é que Exu, o primeiro Orixá a ser criado, é o elemento Fogo, ligado à fecundação, ao princípio da vida, e que Oxalá, o último Orixá a ser citado, é o elemento Ar, ligado ao brando que é o luto, morte, o princípio do fim daquilo que vive.
O estudo de Odús no Brasil é restrito a alguns poucos Babalorixás e Yalorixás (Zeladores de Orixás), assim como a Oluwôs (chamados de videntes, ancião, manipuladores dos Búzios e Opelé-Ifá – que é outro tipo de oráculo). Mas com certeza, nascemos e vivemos sob a Numerologia dos Odús, sob sua influência...isso é certo!
Texto extraído do livro:
“OS ORIXÁS E O SEGREDO DA VIDA”
De Mario Cesar Barcellos
 EXPLICANDO MEU PONTO DE VISTA:  Qualquer pessoa iniciada
 tem direito ao jogo de buzius, embora aprender a jogar buzius não qualifica ninguém como sacerdote.Os caminhos da vida é que elegem os sacerdotes!...IFÁ FIXE TEUS OLHOS SOBRE MIM E ME OLHES BEM, POIS QUANDO TU FIXAS OS TEUS OLHO EM UMA PESSOA É QUE ELA É RICA. QUANDO TU FIXAS TEUS OLHOS EM UMA PESSOA É QUE ELA PROSPERA.[ TRADUÇÃO LIVRE DE UM ITAN].....A autoridade de Exú no jogo de buzius por odú é absoluta e incontestável.Ele faz a  ponte que leva as mensagens dos homens até Orummilá e dos orixás.A fala de Exú tem poder de transformação.Exú trabalha no jogo de buzius com o que é primordial aaos seres humanos : A verdade de seu destino!.Exú é promotor da harmonia e bem estar de dois mundos: o humano e o divino. É responsável pelas respostas de todos os problemas questionados aos odús.A primeira força venerada é  Exú. EXÚ --ikoda akoda- primeira estrela criada!!!!     Todo jogo de buzuis por odú tem que ter  um Exú específico arrumado para o jogo falar corretamente as revelaçóes dos odús. E XÚ GBARIJÓ: a boca coletiva dos orixás, é ele quem agiliza e mobiliza os buzius para que formem configurações ,para trazer os recados dos orixas no jogo.EXÚ OXETURÁ OU IBASSIN: mensageiro de ifá, as vezes até chamado de exú ifá, é ele que transmite o recado de Orummilá a Oxum, que transmite a Exú GBARIJÓ. OBS: Quem provoca o ruído pela queda dos buzius, deve pagar por isso, por isso que o jogo de buzius deve sempre ser cobrado, se o consulente estiver passando uma fase de total necessidade, deverá assim mesmo, colocar uma moeda nos pés de Exú, pelo fato dele ter trazido as respostas,este ato impedem que Exú prejudique o consulente, a casa ou o zelador[a]  .DESTINO PESSOAL: O ser humano tem toda a sua vida regida por odú.Este destino[odú] aloja-se na placenta,enquanto os seres humanos estão sendo gerados. Traz o destino individual de cada ser e o seu próprio orixá. O SACERDOTE OU SACERDOTIZA: A função deles é eliminar os problemas através do jogo de buzius por odú. O que conta  não é o saber teórico dos odús, mas sim investir muito nos buzius para se familiarizar com as caidas e os caminhos dos odús, trazendo com isso respostas e soluções para os problemas humanos.O que via importar, sempre, ao jogar buzius , não é a quantidades de buzius que caem sobre a mesa, mas aprecisão que é dada aos caminhos revelaods. EBÓS:  Para trabalhar com  ebós tem que se investir muito nos buzius,pois o que conta no ebó não é quantidade de elementos e sim a precisão. Os ebós trabalham três elememtos: curar, prevenir  e atrair o bem. CURAR.: Elimina a dor, a angústia, a depressão psicossomática, o consulente tem que ter a necessidade de cura.  PREVENTIVO: Porque ele protege do mal que poderá vir sobre a pessoa. ATRAÇÃO: Ele é capaz de trazer para a pessoa coisas boas, tirando os obstáculos do caminho..........A  posição que os buzius tomam ao serem lançados durante o jogo é denominado odú.Para cada posição de buzius entre o lado aberto e o fechado,o odú tem nome diferente , num total de 16, que são denominados OJÚ ODÚ---os olhos dos odús....que são os odús principais.Para cada odú um caminho, para cada caminho um itan[lenda].Os 16 odús básicos.combinan-se entre si, formando os 256 omos-odús, porém no jogo de meridilogum, o que importa são os 16 odús base, os 16 odus meji, por confirmarem duplamente os seus significados. Existe porém o 17 odú, chamado de oxeturá, ou osetuwá,este é o mais importante entre todos os buzius.É consagrado a Exú que traz respostas para o jogo. Deve estar sempre presente, mas não pode ser visto ou manipulado por outra pessoa, a não ser pelo dono do jogo.É o buzius da segurança do jogo e deve ser guardado longe de curiosos ou juntamente com o exú do jogo.Esse 17 come  junto com exú. Olorún, o Deus todo poderoso,criou para esse planeta 16 odús principais, ou seja, os 16 destinos possíveis.Cada um dos odús vai delinear uma situação, um objetivo,virtude de defeitos. A lógica desses 16 odús diz que cada um deles foi criado para dar corpo aos adjetivos bom, mau, feio, bonito,forte,fraco,triste,alegre e assim por diante,influenciando diretamente no comportamento de tudo que tem vida. Cada um carrega consigo um ponto de explicação determinado, assim definido: Okanran[1]_ a insubordinação    Eji-okô[2]_ a dúvida   Etá-ogundá[3]__ a obstinação  Yorossun[4]_a calma      Oxê[5]_o brilho   Obará[6]_a riqueza    Odi[7]_a violência   Eji-oni´le[8]_a intranquilidade    Ossà[9]_ a alienação       Ofun-[10]_a doença    Owanrin{11]_a pressa   Ejila-seborá[12]_a justiça    Ejio-logbon[13]__a meditação    Iká-ori[14]_a sabedoria   Ogbé-ogundá[15]_o discernimento     Aláfia[16]_a paz.  Olorun fez o mundo e criou a terra, a água, o ar e o fogo, os 4 elementos da natureza, e atribui-se a cada elemento principais 4 odús, ou seja, quatro destinos a eles ligados, que estariam assim distribuídos: Terra: yorossun, obará, ejila-seborá e iká-ori.  A água: eji-okô, oxê, ossá e ejio-logbon    O ar: eji-oniLe, ofun, ogbé-ogundá e aláfia     Fogo: okanran, etá-oguná, odi e owarin                       Cada orixá tem seu odú regente, contituindo dessa forma, um processo: criador/criação/produto final, e cada ser humano tem a regência de uma trinca de odús, a que chamamos de odu-ori [regente da cabeça]otun-odú [o do lado direito] e ossi-odú[do lado esquerdo], chamados de odús paridores, com essa formação, damos liga de um ponto[odú] a outro[orixá], relacionando uns com os outros e entendendo melhor o comportamento humano e a influência dos odús em nossas vidas, afinal todos nós, seres vivos, temos nossos destinos, cada um de nós temos a regência de um odú, mais os odús paridores, chamados de odús de nascimento, e estes odús vão influenciar, criar, determinar diretamente em nossos destinos, eles vão delinear como será nossas vidas, nun aspecto global, mostrando índole, sorte, saúde e as vezes afetividade.                        

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

UM PALAVRA SOBRE O CANDOMBLÉ E A INICIAÇÃO ,,,,,,







A iniciação no Candomblé é um processo extremamente complexo e lento, além de ser um assunto que tem muitas restrições para ser discutido publicamente. Assim como há muitas variações associadas à própria palavra que identifica a Religião do Òrìxa no Brasil – Candomblé, há também diversos tipos de iniciação. Estes tipos classificam-se, basicamente, em iniciação de oxú e de não oxu. Apenas para exemplificar, há dois conhecidos exemplos de iniciados que podem ser classificados como “não adoxu”: os ogans (homens) e as Ëkëdi (mulheres), também chamadas Ajòyè – como lembra Reginaldo Prandi – Prof. Titular de Sociologia na USP. Nestes dois casos, o(a) seguidor(a) é escolhido por um Òrìxà manifestado durante uma cerimônia de Candomblé e, após um dado período, é confirmado(a). Os iniciados “não adoxu”, ao contrário dos adxù, não podem iniciar outras pessoas e têm suas obrigações/tarefas muito bem delimitadas dentro do lado brasileiro da religião, que tem como filosofia o princípio de que não é possível dar a ninguém aquilo que não recebemos, ou seja, aquilo que não temos para dar.


O Prof. Prandi nos ajuda a esclarecer um pouco mais esta que iniciação e confirmação são conceitos totalmente distintos, uma vez que a confirmação tem o objetivo de transmitir um Oyè a um iniciado. Este assunto será discutido mais detalhadamente nos últimos parágrafos.


Sem o objetivo de negar a importância daqueles que não estão classificados como adïñù, vamos Outro fator que deve ser considerado é que, nos primórdios do Candomblé, um homem não tinha o direito de ser iniciado na condição de adïñù, somente como Îgán (nesta concepção, “não adoxu”). Esta regra até hoje é seguida naquela que é considerada a matriz das casas de Candomblé – a Casa Branca do Engenho Velho em Salvador. O tempo passou, a religião evoluiu e, por razões que fogem ao escopo deste artigo, os homens começaram a ser iniciados como adïñù e, para simplificar o texto, a partir deste ponto vamos deixar de usar o gênero das palavras, passando a utilizá-las apenas no masculino em português e/ou inglês e feminino nas poucas palavras Yorùbá que utilizaremos. Além disto, Alexandre Lima nos explicará o significado de algumas destas palavras ao final do texto. Até lá, vamos prosseguir com o assunto iniciação que, daqui em diante, fará referências somente às informações relevantes da iniciação dos adïñù.


Diversos são os caminhos (motivos) que levam uma pessoa a ser iniciada. É praticamente impossível relacionar todos caminhos, já que eles podem ser diretamente proporcionais ao número de pessoas iniciadas até hoje, mas há uma frase que a Ìyálórìxà Kasarandé não cansa de repetir e que muito bem reúne estes vários caminhos: “Ou você chega aos Òrìxà pelo amor, ou pela dor”. Em outras palavras, há pessoas que têm que ser iniciadas, outras o são simplesmente porque assim quiseram e os Òrìxà concordaram, ou seja, estas últimas poderiam esperar o tempo que os Òrìxà julgassem necessário para serem iniciadas – o que poderia significar uma vida inteira, mas preferiram fazê-lo simplesmente porque amavam a religião. E se há um componente que é desejável para um seguidor ser iniciado, este ingrediente é o amor, o qual teórica e automaticamente conduz à dedicação. 
 determinará através do jogo quando o processo terá início. Definida a data, que muito tem a ver com o Òrìxà do futuro iniciado, com as determinações do Òrìxà dono da casa e outras tantas implicações, o abíyàn apresenta-se, pela última vez nesta condição em toda sua existência, diante da Ìyálórìxà. A partir deste momento, ele deu início a um processo que durará SETE anos na esmagadora maioria das nações, familias e casas.


Ele vai ficar hospedado na casa de Candomblé por aproximadamente três semanas, tempo este dependente da casa, família e do próprio Òrìñà do iniciado. Inicialmente, por alguns dias (ou até horas) ele simplesmente descansará. Após este período, será dado inicio a um processo de limpeza física e espiritual, através de banhos rituais (àgbo) e sacrifícios (ëbö), que poderá demorar mais alguns dias. Feita a “limpeza”, ele será colocado no hunkö – quarto sagrado, de onde só sairá para as cerimônias em outros aposentos do ilé àñë ou locais externos sagrados (p.ex.: mar, cachoeira, mata, rio, etc.). A partir deste momento, abandona a condição de abíyàn e passa a ser classificado como ìyàwó – noviça, literalmente, “a mais nova esposa”.


Em seguida ele será submetido ao ritual do börí, o qual alimentará um dos mais importantes Òrìxà – Orí. Através da “alimentação” deste Òrìxà, o ritual tem o objetivo de pedir a sua autorização para “trabalhar” com a cabeça da ìyàwó, uma vez que não é possível realizar qualquer cerimônia pessoal relacionada aos Òrìxà sem antes pedir a permissão de Orí (veja mais informações sobre Orí na opção Òrìñà). Uma vez que Orí foi devidamente reverenciado, é hora de iniciar o tratamento do Òrìxà ancestral da ìyàwó. Segundo a tradição Kétu, até 10  podem ser iniciados em conjunto, o que nunca significa que o serão simultaneamente, pois a iniciação está intimamente vinculada ao Òrìxà de cada pessoa e somente a Ìyálórìxà poderá realizar a cerimônia principal. Com base nestes fatos, entendemos que somente um  poderá ser iniciado dentro de um mesmo espaço de tempo. Por outro lado, as cerimônias preliminares e posteriores à iniciação poderão ser feitas de forma simultânea e, por isto, o período é normalmente aproveitado para iniciar mais de uma pessoa. A este grupo de noviços damos o nome de barco, sendo que cada membro, por ordem sequencial (na maioria dos casos, de acordo com a ordem ritual dos Òrìxà ancestrais), recebe um dos seguintes nomes:


Dofono,dofonitinho, fomo, fomutinho, gamo, gamutinho,vimo, vimotinho etc...


A iniciação é algo muito particular de cada Òrìxà, por isto cada ìyàwó tem seus próprios rituais de iniciação. Porém, o básico é feito em todos. Este “básico” consiste na raspagem da cabeça e na abertura de incisões (através de métodos compatíveis com cada Òrìxà) em diversas partes do corpo da ìyàwó. Estas incisões (gbýrý) têm o principal objetivo de inserir o àñë – um preparado que determinará a ancestralidade da ìyàwó. Entre estas incisões está a principal de todas – o Oñù, que é feita ao alto da cabeça e que o iniciado portará enquanto estiver no àiyé (espaço ocupado fisicamente pelos seres viventes). Na tentativa de tornar um pouco mais clara a importância do Ojù, citamos Dra. Juana Elbein dos Santos e seu livro Os Nàgó e a Morte (ISBN 85-326-0923-6), onde diz: “… a Ìyálàlàñë transfere e planta o àxé na noviça por intermédio de um ciclo ritual que culmina quando, no centro da cabeça da ìyàwó, ela coloca e consagra o Ojù…”. Mais adiante ela escreve “Falecida a olórìñà, qualquer que seja sua hierarquia, deverá proceder-se a retirar seu Ojù por meio do qual, precisamente, a individualização, o nascimento da adójù foram possíveis. Um sacerdote altamente preparado manipulará sua cabeça de maneira que retire os cabelos do lugar onde o Ojù foi plantado…”.Durante esta importante fase da iniciação, tudo sempre é feito sob a tênue luz de vela (quando o Òrìxà da ìyàwó não exige outro tipo primitivo de iluminação), ao som de cantigas específicas para o momento e diante de olhares das poucas pessoas autorizadas pelo Òrìxà, seja ele da ìyàwó, da casa, da Ìyálórìñà e até mesmo do próprio participante, Feito isto, será dado início aos sacrifícios animais necessários para o Òrìxà da ìyàwó. Ao contrário do que a grande maioria pensa, segundo a tradição Kétu, animais não são sacrificados sobre a ìyàwó, pois acredita-se que o calor do sofrimento causado pela morte do animal não deve nunca atingir o abòrìxà. Há métodos específicos e pessoas especialmente determinadas para que não seja estabelecido um elo entre o sofrimento físico do animal sacrificado e a pessoa diretamente envolvida no ritual, exceto no que diz respeito a alguns poucos animais. Um a um, as ìyàwó são submetidas ao processo de iniciação, que pode durar horas que parecem nunca acabar, dependendo do tamanho do barco – grupo de iniciados. Apesar de já serem chamados de ìyàwó, eles ainda terão uma dura fase pela frente. Com o mais básico comportamento sempre atrelado aos seus Òriñà ancestrais, eles ainda terão muitos dias de convivência com a ajíbïna que, além de ensiná-los como se comportarem diante de seus mais velhos, continuará ensinando as rezas, as danças, etc. Eles ainda serão apresentados por sete vezes àqueles da sua família que estiverem interessados em conhecê-los. Dependendo do Òrìñà, durante estas apresentações serão pintados com wàji (azul), òsún (vermelho) e ëfun (branco) demonstrando sua ascendência (Îyï) e também para que as àjý (entidades feiticeiras) não se aproveitem deles, não os persiga.


Finalizados os procedimentos internos de iniciação, é chegada a hora da cerimônia pública. Aliás, todos grandes rituais do Candomblé culminam em cerimônias públicas, que assumem o papel de confirmadoras do ocorrido, de preferência com a participação de pessoas de outras casas e até mesmo outras famílias. A presença de pessoas pertencentes a outras nações em uma saída de ìyàwó é considerada uma grande honra e, normalmente, terão peso imensurável na escolha da Ìyálórìñà para aquele que tirará o nome da ìyàwó


Dependendo da casa, a cerimônia pública será precedida por novos rituais que incluem novos sacrifícios. Há até mesmo casas/famílias que realizam o ritual/sacrifício finais poucos minutos antes da primeira apresentação pública. Mas, hoje em dia, devido à grande especulação, ou os ìyàwó saem cobertos por um tecido branco nesta primeira apresentação, ou já o fizeram na madrugada anterior. Queremos dizer que o ápice da iniciação – que consiste na apresentação do Ojù (objeto ritualístico altamente sagrado) em público, é atingido de uma forma mais discreta do que o era antigamente. Na atualidade, é mais difícil ver um Ojù em cerimônias públicas.


De qualquer maneira, o final desta fase inicial será uma cerimônia pública onde os ìyàwó mostrarão por três vezes que nasceram para uma nova vida, será o Öjï Orúkö Ìyàwó.


Na primeira vez, eles serão apresentados vestidos de branco, pintados de branco (ëfun) com o ìkódídë (pena ritualística, um dos símbolos da iniciação) amarrado na cabeça por palha da costa. Na frente deles estará a ajíbïna estendendo a ëní – esteira, para que eles “batam paó” para os locais sagrados da casa e apresentem o dïbálû (Òrìñà masculinos) e o yìnká (Òrìñà femininos) para a Ìyálórìñà.


Na segunda vez, as as roupas serão coloridas, assim como as pinturas que abusarão do vermelho (òsún) e azul (wáji), dependendo do Òrìñà, mostrando a sua ancestradidade através de traços bem definidos. Na verdade, desta vez, a apresentação é bem mais rápida.


Na terceira vez, as roupas já serão as características de cada Òrìxà, ou seja, eles estarão vestidos em belas roupas que revelam os atributos, lembram a história, de seus Òrìxà.


Na segunda saída, dependendo da casa, após os cumprimentos rituais, os ìyàwó serão expostos ao público na ordem hierárquica do barco e a Ìyálórìxà oferecerá cada um deles para que alguém de outra nação, casa, família (normalmente nesta ordem), peça para que o Òrìxà revele publicamente o nome Yorùbá que o iniciado recebeu. Na terceira saída, os Òrìñà estarão preparados para comemorar os novos nascimentos, pois este é o objetivo da iniciação – nascer para dentro da religião, através das danças rituais. Dependendo do número de ìyàwó, os Òrìñà podem dançar até os raios do sol invadirem o barracão.


Muito bonito sem dúvida, mas engana-se quem pensa que a iniciação acabou. Esquecemo-nos de mencionar que o Kele – o colar sagrado, foi colocado no pescoço da ìyàwó durante o processo de iniciação. É importante notar que o termo “colar” é utilizado apenas para facilitar o entendimento, pois, apesar de ser colocado no pescoço, o Kele não pode ser removido, exceto através de ritual específico. Dependendo da casa, da família, o Kele deverá ser carregado por 12 semanas, lembrando que a ìyàwó deverá respeitá-lo evitando todos prazeres mundanos, tais como sexo, álcool, tabaco, etc., além de uma série de proibições – èwî, inerentes a esta fase primária da iniciação. Hoje em dia, na tentativa de tornar o Kele objeto de respeito máximo, muitas Ìyálórìñà não deixam seus ìyàwó entrarem para a vida social portando o colar sagrado – preferem tirá-lo do pescoço dos seus filhos antes que estes partam para a vida moderna que os aguarda lá fora. Mas isto não significa que eles estarão livres dos èwî ! Talvez eles sejam liberados para comer com talheres em um almoço de negócios, mas isto poderá ser o máximo permitdo, pois dormir no chão sobre a ëní e as rezas antes das refeições que não sejam exigidas pela vida profissional continuarão sendo algumas poucas das suas muitas obrigações para com os Òrìñà. Alguns èwî, dependendo do Òrìñà, da casa, da família, etc., não estarão limitados não estarão limitados somente ao período do Kele, ou seja, deverão ser respeitados por toda vida do iniciado.


Como ensinado pela ajíbïna, enquanto eles forem ìyàwó, eles jamais poderão sentar no mesmo nível que os irmãos mais velhos, nem olhar diretamente em seus olhos. É a hierarquia intrínseca ao Candomblé (ou seria à cultura Yorúbà ?) se mostrando: um irmão mais novo não deve nunca ficar acima (fisicamente) de um irmão mais velho. Ao contrário das demais culturas, o “olhos nos olhos” só funciona para pessoas do mesmo nível hierárquico, os que estão abaixo devem sempre olhar para o chão. Esta educação inicial mostrará quem é a pessoa para o resto de sua vida dentro da religião. Passado o período do Kele, o iyàwó, teoricamente, entra em seu ritmo social normal até o primeiro ano, quando então cumprirá com novas obrigações chamadas de ödún kíni. Depois precisará cumprir com suas obrigações aos três anos (ödún kýtà). Há casas onde também são cumpridas obrigações no quinto ano. Finalmente, vem as obrigações que são a confirmação final da iniciação e que são feitas aos sete anos (ödún kéje), quando então a ìyàwó se tornará um Ûgbïn (mais velho) através de uma cerimônia pública, onde poderá receber o conjunto de simbolos da maioridade, comumente chamado de Deká. A partir daí, o egbomen, ou Ûgbïnmi, como é normalmente chamado, estará apto a abrir sua própria casa, caso este seja seu caminho (definido no momento da sua concepção e revelado pelo jogo de búzios), dando origem à sua própria família com base nos ensinamentos que adquiriu durante os sete anos de iniciação, de aprendizado inicial. Durante o referido período, é esperado que ele tenha sido submetido a, e estado presente em, rituais suficientes para que esteja habilitado a, pelo menos, interpretar corretamente as caídas dos búzios, pois muito do que praticará de agora em diante, aprenderá à medida que os Òrìxà digam que ele precisa iniciar os abòrìñà que cruzarem seu caminho.


Aqueles que não têm o “caminho” para assumirem a função de Ìyálórìñà, de abrirem suas próprias casas, continuarão atuando dentro daquela onde foram iniciados, podendo receber nesta cargos e/ou títulos (Oyè) que determinarão os seus papéis junto à sua família (Ìdílé Òrìñà). Nesta condição, além das classificações já expostas, estes abòrìñà passarão também a ser classificados como Oloyè.


Conforme define o Prof. Prandi, “receber um Oyè geralmente implica sentar na cadeira (cadeira, trono, representava na África que o indivíduo tinha alta posição social, assim como usar o eru-espanta mosca, o guarda-sol e outros símbolos de prestígio e poder). A confirmação é o ato em que o pai-de-santo ou Òrìñà senta o Oloyè na cadeira, para indicar que ele agora tem status alto, posição elevada, etc. naquele Ëgbý (comunidade)”. Ele adiciona ainda que, ao abrir sua própria casa, a Ìyálórìñà não perde o vínculo com a casa onde foi iniciada, podendo, inclusive, manter um Oyè recebido previamente naquela casa, ou até ser confirmada para um Oyè naquela ou em outra casa após ter constituído sua própria família. O candomblé é uma religião iniciática. No entanto nem todos nasceram para serem sacerdotes, gostaria de salientar que essa iniciação só deve ser feita em última instância, em caso de extrema necessidade, quando não houver outra alternativa.


A iniciação no candomblé não é uma coisa que se faça levianamente sem observar as conseqüências provenientes de erros, caso o pai ou mãe de santo não estejam devidamente preparados para isto. Por que iniciar uma pessoa que não precisa ser iniciada? Só pelo dinheiro? Há muitos “sacerdotes” fazendo isso sem nenhum escrúpulo. São os mercenários de nossa religião que não tem o menor respeito pelo Orixá e muito menos pelas pessoas desavisadas que caem em suas mãos.


Sempre que for fazer uma consulta em qualquer casa de candomblé, fique atento, não dê dinheiro algum sem antes confirmar em outros lugares se é isso mesmo que estão dizendo. Se disserem que tem que fazer um ebó, borí, ou iniciação, vá jogar em outros lugares para confirmar a resposta do jogo, se for igual em pelo menos três lugares diferentes então faça. Caso contrário não faça nada, não gaste seu dinheiro sem saber realmente o que é preciso ser feito.


Muitos pensam que é só fazer o santo e já pode ser pai ou mãe de santo, a coisa não é bem assim… Não é porque alguém se iniciou, que obrigatoriamente terá que abrir uma casa ao completar sua iniciação na obrigação de sete anos.Não são todos filhos de santo que tem cargo para ser um sacerdote. O sacerdote já nasce com essa missão e em proporção seria 1 em cada 1000 que deveria se preparar para essa árdua tarefa.


O que está acontecendo no candomblé é uma distorção grave, quando se pensa que todo iaô tem que abrir casa. Um absurdo! Muitos não têm nem fibra e nem capacidade para ser um líder, abrem suas casas e depois de um tempo despacham tudo no rio e vão para as igrejas


Os culpados dessa decadência da religião são os pais e mães de santo que inventaram essa nova modalidade de ganhar dinheiro, pois cada iaô que o sacerdote despreparado for tirar terá que chamar um pai ou uma mãe para raspar porque ele não sabe. Pois não conviveu o tempo suficiente na roça para aprender o mínimo necessário e já abriu uma casa. Não podemos esquecer que existem muitos sacerdotes dignos, que levam o culto a sério e se preparam durante muito tempo antes de assumir uma casa e todas as conseqüências que a mesma trás, mostrando um culto limpo, cheio de magia e lendas riquíssimas. Trazendo a evolução do homem e mostrando que cada um tem o seu caminho evolutivo.


O candomblé não se resume às festas de barracãoa festa é só a ponta do iceberg, não é só chegar na hora da festa para dançar, candomblé não é só isso.O candomblé propriamente dito começa uma semana antes de cada festa, com muitas pessoas na casa lavando, passando, cozinhando, limpando e enfeitando, quando você entra no barracão e vê as bandeirinhas no teto da cor do Orixá que está sendo homenageado, alguém teve que comprar cortar e colar as bandeirinhas e colocá-las no lugar para que o barracão fique bonito.


As anáguas, toalhas brancas, ojás precisam ser engomadas e passadas, (detalhe na maioria das roças é no tanque por não ter máquina de lavar e quanto tem não é usada porque gasta muita luz) isso normalmente é feito pelas ekedis ou pessoas que moram na casa de candomblé, mas e as suas anáguas quem vai engomar? Quem vai passar? É durante o período de abian que muita gente vai aprender a lavar suas roupas, engomar e passar para poder usar na festa. Caso não saiba lavar roupa ou nunca lavou terá que aprender ou pagar para que alguém faça. Na maioria das vezes é do que vivem as pessoas que moram dentro de uma casa de candomblé, lavam e passam as roupas dos que não sabem ou não tem tempo para fazer.


Durante a semana diversas obrigações são feitas, de acordo com a determinação do jogo de búzios, Exús, Eguns e os Orixás homenageados. Os bichos precisam ser limpos por alguém e tratados pois será servido uma parte para os Orixás e outra parte para todos os presentes na festa.


Você já limpou uma galinha, um pato, um pombo ou um cabrito?


Ahhh! tem dó?!!!, Tem nojo? ah bom!!! Então pode ir pensando no assunto, na hora de tirar as penas todo mundo tem que ajudar não importa cargo, é uma das coisas que os abians e iaôs podem fazer. Alguém precisa limpar a casa e deixar impecável para a festa e os convidados. Isso os abians e iaôs também podem fazer sem problemas.Se você nunca varreu sua casa, vai aprender a varrer barracão e quintal que normalmente são enormes.A comida precisa ser preparada e estar pronta antes de começar a festa para que aqueles que estavam no fogão possam tomar banho e se arrumar.


Quando chegar num candomblé e notar algumas pessoas com cara de cansadas e cochilando em alguma cadeira, não repare, com certeza essa pessoa deve estar com todos os ossos do corpo doendo de uma semana de trabalho duro para que você possa ver uma festa bonita.


Se você é leigo no assunto, procure conhecer um pouco mais antes de fazer qualquer coisa.Não deve se iniciar só porque acha bonito, porque gosta das roupas, porque gosta do ritmo envolvente sem pensar nas responsabilidades e conseqüências da iniciação. Não se inicia para depois de um ano chegar à conclusão que não era bem isso que queria.


Quando se iniciar no candomblé estará criando um vínculo com o seu Orixá, com a casa, com o pai ou mãe de santo, você passa a fazer parte de uma comunidade, por isso deve escolher bem a casa. Antes de qualquer coisa é necessário consultar vários jogos de búzios para saber se todas as respostas de jogo são iguais, não se deve confiar cegamente em ninguém.


Somente depois disso dá para saber se precisa realmente ser iniciado ou não, desta forma pode-se escolher a casa e o pai ou mãe de santo que mais lhe inspire confiança, procurar saber quem são seus ancestrais, em que casa ele foi feito, tudo isso para não ter surpresas e aborrecimentos no futuro. Estou dizendo isto porque existem muitas pessoas com casa aberta e nem são iniciados no candomblé e dizem que são. Uma pessoa que não foi iniciada, não pode iniciar outras pessoas, porque não recebeu o Axé de ninguém. E pelo que me consta ninguém pode dar aquilo que não tem.


Mesmo que lhe digam que precisa ser iniciado (fazer o santo), tenha calma e não vá fazendo no primeiro lugar que lhe disseram, procure outros lugares, se informe, o santo não vai te matar se você não fizer imediatamente, se ele é seu Orixá ele quer o melhor para você.Por isso mesmo existem os abians nas casas de candomblé, são pessoas que participam das festas e algumas obrigações na casa sem a responsabilidade de ser um iniciado.


Para fazer parte do candomblé não pode ser preguiçoso, se está pensando que vai chegar numa roça de candomblé e ficar encostado olhando os outros trabalharem, esqueça, todos trabalham por igual em pról da comunidade, se é uma casa prá todos os filhos, todos os filhos tem que ajudar. E não é ao pai ou mãe de santo que estão ajudando Quando limpar a roça pense que alguém está fazendo a comida que você vai comer e o que você está fazendo se reverterá em benefício de todos e para que todos tenham um lugar agradável e limpo para ficar.


Durante o período de abian é que você aprende a dançar no barracão, aprende as cantigas, convive com todos da roça e tem a possibilidade de conhecer um por um, nesse período é que você vai descobrir se está no lugar certo, caso não seja poderá ir para outra casa pois ainda não tem vínculo nenhum com o pai ou mãe de santo e nem com a casa.


O Axé é transmitido do pai ou mãe de santo para o iniciado de diversas formas, uma delas é na iniciação através do Adoshu que é colocado na parte superior da cabeça, onde penetrará o Axé ali depositado. O Axé vai sendo transmitido aos poucos, através das rezas, cantigas, banhos, boris, na feitura, na obrigação de 1 ano, 3 anos, (em algumas nações tem a de 5 anos), 7 anos, 14 anos, 21 anos de santo, daí em diante enquanto o pai ou mãe for vivo.


O certo é permanecer na casa onde se foi iniciado, mas em decorrência de muitos desentendimentos entre pais e filhos de santo tem havido uma constante mudança de casa.


Para os que não sabem…você nunca vai ser tratado em outras casas como na casa onde você foi iniciado, existe uma diferença, ou seja (você não é do meu Axé), pode ser muito bem camuflado mas que esse sentimento existe, existe….


Na primeira discussão você pode ouvir isso, não digo do pai de santo, mas dos outros filhos da casa com certeza.