....LILITH OU EVA ?????

















LILITH OU LILIATH






A Encantada Deusa Lunar






Mulheres: Profanas, Sagradas , Humanas.
Antes de se iniciar qualquer discussão a respeito do ciúme é necessário falar sobre o ser feminino, o ser masculino e as relações existentes entre eles. Abordar-se-ão neste capítulo as formas que essas relações assumem, dando-se ênfase sempre na questão feminina. Partir-se-á do mito judaico de Lilith e sua relação com Adão e Eva, estruturando-se desta maneira um esboço cultural patriarcal acerca do feminino. Apresentar-se-á em seguida um breve histórico acerca da constituição dos papéis destinados à mulher, da família e do matrimônio até a relação homem x mulher no século XX e XXI.
1.1. Lilith: Feita do mesmo Pó.
De acordo com Chevalier (2001) e segundo a tradição cabalística, Lilith seria o nome da mulher criada antes de Eva e ao mesmo tempo em que Adão, não de uma costela do homem, mas ela também diretamente da terra. Somos todos iguais, dizia a Adão, já que viemos da mesma terra. A esse respeito discutiram os dois e Lilith, encolerizada, pronunciou o nome de Deus e fugiu para começar uma carreira demoníaca. Lilith tornar-se-á inimiga de Eva, a instigadora dos amores ilegítimos, a perturbadora do leito conjugal, porém, mais importante ainda, Lilith representa a primeira reação feminina ao domínio masculino.
Apesar de ter sido expurgada do gênese pelos editores bíblicos, pois segundo a tradição judaica, estes procuraram adequar o livro sagrado aos valores e padrões morais de sua época (os valores já patriarcais), segundo Laraia (1997) por volta do século 4 a.c, o mito de Lilith não desapareceu por completo, chegando ao nosso século através de rituais esotéricos, livros ocultistas, artigos científicos e monografias que exploram a pluralidade feminina na história.
”Existe, contudo, uma outra interpretação, que nos parece mais fascinante, a de que, a exemplo do que foi feito com os animais, Deus teria criado um casal: Adão e uma mulher que antecedeu a Eva. Esta mulher primordial teria sido Lilith[1], figura bastante conhecida da antiga tradição judaica. Lilith não se submeteu à dominação masculina. A sua forma de reivindicar igualdade foi a de recusar a forma de relação sexual com o homem por cima. Por isso, fugiu para o Mar Vermelho.” (Laraia 1997, p.150)
Após ter se tornado um demônio feminino, em contraponto com a figura de Eva, Lilith era representada segundo essas velhas tradições judaicas, como sendo uma figura sedutora,de longos cabelos, que voava à noite, como uma coruja, para atacar os homens que dormem sozinhos. (Laraia, 1997). Por vezes, Lilith atacava mesmo os homens casados e, para Combatê-la, os judeus desenvolveram rituais elaborados na cabala para bani-la de suas casas.
Para Chevalier (2001) a persistência no mito de Lilith e sua sobrevivência nos dias atuais persistem no fato de que ela representa a mulher desdenhada ou abandonada por causa de outra – no caso Deus a substituiu por Eva. Porém, segundo Laraia (1997), Lilith agiu para evitar ser dominada pelo homem e seus conseguintes sendo desse modo, uma vingança contra esta tentativa de submissão.
Concordamos com Laraia (1997), pois o mito de Lilith parece-nos uma reação ao domínio e subjugação de Adão. Esta representa a mulher que não permitiu ser dominada pelo homem, já que estes eram iguais, frutos da mesma terra, do mesmo solo, sem nenhuma hierarquia. Lilith optou – pois tinha este direito junto a Deus – por uma vida amaldiçoada sob a forma de um demônio noturno, do que ser subjugada. Já que é bastante significativo que Lilith não ataque as mulheres, com exceção apenas das noivas (Laraia, 1997). Chevalier, em seu dicionário de símbolos diz que Lilith está associada ao ódio contra a família, contra os casais e contra os filhos; evocando ainda a imagem trágica das Lâmias gregas, símbolo da inveja da mulher que não tem filhos, condenada a diariamente arrancar e recolocar os olhos para enxergar a felicidade alheia e condenada a nunca dormir, punida por sua traição com Zeus, contra Hera rainha do Olimpo e esposa ciumenta do Rei dos Deuses (Chevalier, 2001).
Lilith foi retirada do texto sagrado, mas deixou uma sucessora na matéria de desobediência. Apesar de esta ter sido moldada ao gosto da sociedade patriarcal: Eva.

[1] Lilith é usualmente derivado da palavra Babilônica/Assíria Lilitu `um demônio feminino ou um espírito do vento, parte de uma tríade mencionada nas invocações mágicas babilônicas. Mas aparece mais cedo como Lilake em uma inscrição Sumeriana do ano 2000 a.C. que contém a lenda `Gilgamesh e o Salgueiro’. É uma demônia vivendo em um tronco de salgueiro vigiado pela deusa Inanna (Anath) em uma margem do Eufrates. A etmologia do hebreu popular parece derivar Lilith de layl, noite, e ela freqüentemente aparece como um monstro noturno peludo no folclore Árabe.” (Graves e Patai, 1983, p.68).
1.2. Eva: Feita de uma costela.
O perigo que a mulher representa para a sociedade fundada nos princípios patriarcais judaico-cristãos não estava completo com o mito de Lilith. Sua simbologia complementaria seu significado através da figura de Eva. Desta vez, não feita do mesmo pó, mas sim a partir de uma costela retirada do próprio Adão.
Conforme a narrativa do Gênesis, durante o sono de Adão é que ela foi tirada de uma de suas costelas: daí a crença na subordinação da mulher ao homem. Eva é considerada a primeira mulher, a primeira esposa. (Chevalier, 2001). Podemos notar que Eva foi moldada exatamente como as exigências da sociedade patriarcal. A mulher feita a partir de um fragmento de Adão. É o modelo feminino permitido à mulher pelo padrão ético judaico-cristão. A mulher submissa e voltada ao lar, literalmente a mãe de toda a humanidade.
Eva, denominada por Adão “a mãe de todos os seres viventes”, é mais fácil de ser subjugada porque não foi feita como ele do pó, mas de uma parte dele. Entretanto, ela também demonstrou a sua capacidade de ser perigosa (Laraia, 1997).Segundo a tradição patrística, Adão e Eva antes de comerem o fruto do Bem e do Mal estão cobertos de um manto de incorruptibilidade (Chevalier, 2001). Seus apetites inferiores são submissos à razão e eles vivem em harmonia.
Eva, porém, à sua maneira, repetiria o gesto de rebelião de sua antecessora. Deus tinha permitido ao homem comer todas as frutas do jardim, com apenas uma exceção ”Mas da árvore da ciência do bem e do mal, d’ela não comerás; porque no dia que d’ela comeres, certamente morrerás” (Gen. 2:2-17). É exatamente esta interdição que é rompida por Eva.
Ao ser seduzida pela serpente, desobedeceu a ordem de Deus de não comer do fruto proibido e convenceu ao homem a fazer o mesmo: “Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” – (Gên. 3:1-12) condenando a toda humanidade a sofrer com a morte, a dor e a fome. Para Laraia (1997), a versão canônica é que a mulher assim procedeu tentada pela serpente, sob a alegação de que o consumo da fruta proibida a tornaria tão poderosa como Deus. Acreditando na pérfida serpente, Eva comeu do fruto proibido e convenceu o seu companheiro a fazer o mesmo. A punição por este ato de desobediência original foi a perda da imortalidade, a expulsão do paraíso e a ruptura da aliança com Deus. A partir de então os homens tornaram-se mortais, sofrendo todos os tipos de sofrimentos e prostrações. Desse modo, na cultura patriarcal, Eva designará a mulher, sinônimo da concupiscência, pecadora que caiu em tentação e é responsável por todos os males do mundo. Adão será sinônimo do homem e do espírito, inabalável em seus ideais, corruptível somente pela tentação despertada pelo ser feminino.
Estruturalmente, Lilith e Eva cometeram o mesmo crime, o da desobediência ao Senhor e foram punidas da mesma forma: Todos os dias, por toda a eternidade, Lilith, “a mãe dos demônios” tem que se conformar com a morte de 100 lilim; da mesma forma, Eva é a responsável pela morte de todos os seus descendentes que poderiam ser imortais se continuassem a viver no Paraiso.” (Laraia, 1997. p.05)
No mito de Lilith, feita do mesmo barro e criada na mesma época que Adão, temos a representação do feminino como algo perigoso e pertubador. Uma agitadora que, não aceita as regras impostas pelo parceiro – como ficar por baixo na relação sexual. Ao se rebelar contra Adão foi castigada sendo impossibilitada de ter uma vida “humana”, passando a viver, segundo o mito como um demônio, e é o seu caráter demoníaco que leva a mulher a contrariar o homem e o questionar em seu poder (Chevalier, 2001).
No mito de Eva, feita de uma costela e criada quando este se achava sozinho, temos a representação do feminino como subjugada e não confiável. Através da sedução deixou-se tentar e tentou seu companheiro, rompendo a barreira da obediência, e com isso acarretando o grande problema da subordinação feminina às vontades e desejos do homem. Eva foi castigada por seu pecado original a verter sangue todos os meses e a seus descendentes nascerem pecadores.
Durante séculos a mulher foi vista e tratada como inferior – visão que continua em voga em determinados lugares e culturas. Segundo o médico Eliezer Berenstein (2000) a visão na idade média era de que devido ao pecado de Eva “A mulher era uma criatura pecadora, que deve ser severamente ou até violentamente controlada e, se mesmo assim não resolver, ser queimada durante a menstruação.” (p.62)
Millor Fernandes (1972), ao abordar o tema de Adão e Eva em seu Livro Esta é a verdadeira história do Paraíso, mostra-nos uma conversa de Deus com Eva, representada em seus diversos papéis e funções no seguinte trecho:
“Olha Adão enquanto dorme; é teu. Ele pensará que és dele. Tu o dominarás sempre. Como escrava, como mãe, como mulher, concubina, vizinha, mulher do vizinho. Os deuses, meus descendentes; os profetas, meus public-relations, os legisladores, meus advogados; proibir-te-ão como luxúria, como adultério, como crime, e até como atentado ao pudor! Mas eles próprios não resistirão e chorarão como santos depois de pecarem contigo; como hereges, depois de, nos teus braços, negarem as próprias crenças; como traidores, depois de modificarem a Lei para servir-te. E tu, só de meneios, viverás.” (pág. s/nº)
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Comentarios

comentarios para “lilith e eva”


  1. RESPONDER:

  2.   suamidósun disse:
    Em retrospectos cabalísticos, Lilith é a manifestação Adâmica (que ainda NÃO era macho…) primeira (pois é para ele criada) e Eva a segunda manifestação.
    Com entendimento:
    Adão, o Primeiro, ainda era Apolar (Gênesis 1:27 “Elohim criou o homem à sua imagem, à imagem de Elohim ele o criou; criou-os macho e fêmea”, notando que ainda não criara Eva, nem Lilith até aqui…), masculino e feminino, isto é, uno.
    Na Árvore Cabalística particular da criação humana, aí está Kether. Quando Lilith (a Noite) é criada, temos o excesso de energia de Kether liberados em busca do dual, mas ainda não encontrado, ou seja, Kether em Qliphot, o nascimento da primeira esfera infernal.
    (Pois o mal é criado do excesso do bem, e as Qliphot são realizadas na medida em que a energia temporariamente desbalanceada de uma esfera propulsiona-se à extravasar na criação de sua sequência. Tanto que Malkuth, que nada emana, não possui uma versão Qliphótica, senão em si mesma)
    Quando Eva nasce, ela se biparte de Adão, de uma costela, e assim, completa-o em sua dualidade, ela é a fêmea para ele ser o macho, e Adão se torna masculino (ou seja, positivo) e Eva feminina (ou seja, negativa). Note que aqui surge a polaridade, Hockmah, mas também a Tri-Unidade: “Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe para LIGAR-SE à sua mulher, e se tornam uma só carne” (Gênesis 2:24), ou seja, Binah.
    Considerando FORA da Árvore Particular de nossa evolução elemental, contudo, devemos o entender: feminino, negativo; masculino, positivo; isto é, entender positivo e negativo como as qualidades deles, em sentido ESTÁTICO, não DINÂMICO… A Mãe é Positiva e o filho, Negativo, pois a ela se submete. O Pai é positivo, e a filha, Negativa, pois a ele se submete. E Marido e Mulher são tanto Negativos quanto Positivos, pois são “UMA SÓ CARNE”… Sem diferenciação de superior ou inferior (que a burrice faz entender como positivo/superior e negativo/inferior Deus sabe porquê… ¬¬³)
    A mulher domina quando é negativa. Sempre que se torna positiva, isto é ativa, e não reativa, ela perde… A história prova. xD
    As melhores Rainhas sabem disto. ;)





  3.  MATÉRIA  DE  EDUARDO FONSECA
    10/09/2010